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sábado, 30 de outubro de 2010

Gabriel Luiz: O rumo do Brasil nos próximos 4 anos está em jogo

Acabou. Após mais de dois meses de campanha exaustiva tanto para o candidato quanto para o eleitor, ela está enfim encerrada. E o que podemos guardar como saldo final dessas eleições? Que balanço podemos fazer a um dia do Gran Finale? Devemos nos envergonhar da forma em que a disputa foi conduzida, priorizando temas restritivos – como, entre outros, a questão religiosa – em detrimento de propostas concisas para o futuro do nosso país? Ou deveríamos nos alegrar da real aplicação da lei da Ficha Limpa, depois de muita reviravolta por causa de um polêmico tempo verbal? Convido você faça comigo uma análise dos pontos mais impactantes dessas Eleições 2010.

Lula, o grande cabo (de guerra) eleitoral e os candidatos improvisados

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Lula e Dilma durante o lançamento do PAC

Antes desconhecida, hoje com 57% dos votos válidos, Dilma Rousseff é a obra-prima do Presidente Lula. Usando sua popularidade recorde, ele fez o Brasil descobrir a sua candidata. A sua influência sobre a campanha petista foi além das gravações de programa eleitoral: Lula foi amplamente criticado por deixar de lado as funções da Presidência a ele atribuídas e apenas focar na campanha da Dilma. De fato, ele teve maior participação nessa campanha do que os próprios candidatos e conseguiu convencer o seu eleitorado de que Dilma é sinônimo de continuidade. Se isso é verdade ou não, é a partir do dia 1° de janeiro de 2011 que saberemos.

Já do lado do PSDB, a maior confusão é a escolha do candidato. Enquanto todos apostavam na indicação do Aécio Neves, o candidato tucano seria José Serra, ex-governador de São Paulo. Antes liderando as pesquisas iniciais, ele demorou muito para escolher seu vice (desconhecido também), Índio da Costa. Essa definição tardia possibilitou à candidata petista ultrapassá-lo. Apesar da constante queda, o ex-presidente FHC não foi em nenhum momento associado à campanha de Serra.


A participação da mídia

No fundo, quem pautava a campanha era a mídia. Quem lutava nessa campanha era a mídia. Era ela quem descobria os escândalos, ela quem definia o clima da disputa, ela quem vangloriava ou aniquilava determinado candidato.

Pela primeira vez, os jornais se assumiram e definiram os seus candidatos. É o caso, por exemplo, do Estado de São Paulo que em seu editorial manifestou apoio ao José Serra. Para o (e)leitor, isso representa a franqueza da imprensa, antes acusada de parcialidade. Ela ainda é tendenciosa... Mas declarada.

A mídia se atacou, se mordeu, se enforcou. Assistimos a uma verdadeira disputa entre as maiores revistas do Brasil. Quem não se lembra das revistas VEJA e ISTOÉ e suas capas antitéticas pró-Serra, pró-Dilma?

Mas a mídia também foi perseguida. Lula, no calor de um comício, deixou escapar que a imprensa tem muita liberdade. Fez acusações diretas à revista VEJA, e declarou repúdio à revista depois de uma matéria sobre a Erenice Guerra e o escândalo na Casa Civil. Dilma acusava a imprensa de criar factoides para prejudicá-la.

Curioso é que nos dias seguintes à essa matéria da VEJA, o governo afastou a Erenice. Se a imprensa é realmente mentirosa, não seria feio demitir uma inocente?


Baixaria eleitoral

Bolinha de papel, balão cheio d’água, calúnias na internet, foco no aborto e na questão religiosa, direitos de resposta...uma campanha marcada pelo alto grau de baixaria.

No evento da bolinha de papel a proporção do ataque foi minimizada. Não que uma bolinha de papel faça um grande estrago. Mas o que podemos dizer de militantes que não se respeitam, que não sabem aceitar as diferenças, que não conseguem controlar os ânimos? A real ferida não é a careca do Serra, nem o topete da Dilma. Quem sai sangrando nessa história toda é a democracia, que assiste de cima a esse lamentável espetáculo.

Debates fracos e palhaçada

Foram inúmeros os debates, e o que podemos nos lembrar deles? No que se refere a, tergiversar, trololó... Triste, não é? Foram debates mornos, concentrados em apenas um eixo (num tivemos privatizações, noutro Erenice/Paulo Preto, em um outro, aborto...). Quanto às propostas apresentadas, não tivemos nada além de mútuas acusações e enrolation entre os candidatos.

Já no último debate de ontem, na Rede Globo, caracterizado pela excelente mediação do William Bonner, o formato foi diferente. Diante de 80 eleitores indecisos, o nível foi mantido e propostas – ou pelo menos o que se pareça com isso – foram apresentadas. Uma pena que tenha sido tão tarde.

Mas essas Eleições foram também marcadas pelos candidatos digamos... não convencionais. Weslian Roriz foi diversão garantida nas noites de debates. Tiririca, durante o horário eleitoral. Lindolfo Pires e seu jingle na versão de Beat It assegurou muitas risadas no YouTube. Não, eu não estou defendendo a candidatura duvidosa deles. Acho triste que algo tão importante como a Política vire show de humor. Mas o que eles têm de mais palhaço do que um Sarney ou Collor da vida?

Ficha Limpa, título de eleitor e campanha virtual

Com decisão do STF, a lei da Ficha Limpa vale para essas eleições. Isso fez com que centenas de candidaturas fossem impugnadas, como a de Jáder Barbalho (PMDB-PA). A lei da Ficha Limpa é símbolo de um possível retorno da credibilidade da Política, hoje desacreditada.

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Título de eleitor: Vocêo usa para tudo, menos para votar

Título de eleitor, pra quê? Para tirar passaporte, para se inscrever na faculdade... Para votar? Não. Hoje você pode votar com qualquer documento com foto. Portanto, aguardo o dia em que poderemos dirigir apenas munidos com a carteira de identidade.

Os candidatos também ultrapassaram os limites físicos e tiveram participação no mundo virtual, aos moldes da campanha que elegeu Barack Obama. O eleitor pôde acompanhar a rotina do seu candidato, apoiá-lo e conversar com ele pelo Twitter. E essa é uma tendência digital que veio para ficar! Buscou-se o eleitor onde ele de fato está. Hoje não mais diante da televisão e sim, na grande maioria, navegando na Internet.



Marina Silva e os institutos de pesquisa

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Marina foi flertada por Dilma e Serra no segundo turno, 
mas preferiu assumir neutralidade em decisão conjunta com o PV

Ninguém discorda de que o crescimento da Marina Silva, representando uma política despolarizada para um eleitorado farto de tanto escândalo, foi o grande causador do segundo turno. Marina reacendeu o interesse dos jovens pela Política. Marina encantou e apresentou propostas. Marina surpreendeu quando todos os institutos de pesquisa a subestimavam.

Esses mesmos institutos que definiam a vitória petista no primeiro turno agora enfrentam a desconfiança do brasileiro, que não entende os critérios das pesquisas e questiona sua veracidade. A tão famosa margem de erro virou motivo de chacota aqui na Internet.

Agora que o jogo está feito, o que nos resta é esperar pelo resultado neste domingo. Vote com consciência e lembre que o voto direto, antes de tudo, é um direito conquistado a grande pena. Muito sangue fora derramado por esse direito ao qual não é dada tanta importância. Um direito que define o futuro do nosso país e que está em suas mãos. Eleição não é festa da democracia e sim o momento de reajustar os seus ponteiros.

Dito isso, bom voto!

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Veja o resumo do debate entre os presidenciáveis da Record

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Dilma Rousseff manteve a impaciência que havia demonstrado nos debates anteriores no encontro promovido ontem pela Record. Nem mesmo a folgada liderança nas pesquisas parece suficiente para acalmar a petista que guaguejou por diversas oportunidades.

José Serra demonstrou claro abatimento, ficando apático na maior parte do tempo. O candidato não partiu para o ataque como era esperado e praticamente deu sinais de não estar mais para valer na briga pela presidência.

Se faltou energia para Serra, essa veio para Marina. A ex-ministra do Meio Ambiente estava empolgada com seu recente crescimento nas pesquisas de intenção de voto e participou mais ativamente que nos encontros anteriores.

Na casa dos 0% nas pesquisas, Plínio não deixou de dar seu show. O discurso radical e extremista atraiu diversos aplausos da plateia e uma grande repercussão em sites como o Twitter. Resta aguardar se tudo isso será suficiente para fazer o candidato pontuar nas próximas pesquisas.

Audiência

http://portalexame.abril.com.br/imagem/debate-record-460.jpg 

De acordo com os números consolidados, o debate manteve o 4° lugar na audiência mas também manteve o posto de debate mais visto até agora. Segundo a Record, 1.5 milhão de internautas acompanharam o confronto pelo portal R7.

domingo, 26 de setembro de 2010

Acaba o debate

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Candidatos acabaram de dar as suas considerações finais.

Lady Gaga do debate?

Marina Silva fez uma troca de roupas durante o intervalo comercial e acabou ofuscado o debate das ideias nas redes sociais. No início do debate, o visual muito rígido usado a princípio pela candidata do PV tinha rendido críticas.

"Sapo" está na plateia do debate

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Apoiador da candidata do PV, Marina Silva, o filósofo Raphael Capucho veio de São Paulo para acompanhar o debate da Record na noite deste domingo na plateia do Recnov, no Rio de Janeiro. O traje escolhido por ele, no entanto, destaca-se no ambiente tomado por pessoas de terno e gravata: uma fantasia de sapo.

Capucho traz no peito o endereço de um site de campaha de um deputado estadual de São Paulo e diz ser essa a primeira campanha limpa no país, que não utiliza papel ou plástico.

Fonte: R7

Candidatos começam perguntas entre si

http://noticias.r7.com/blogs/eleicoes-2010/files/2010/09/marina_blog.jpg 

O destaque do início do debate é uma gafe de Marina Silva que chamou erradamente o apresentador Celso Freitas de Carlos Freitas.

domingo, 5 de setembro de 2010

Dilma mantém dianteira em novas pesquisas Datafolha e Ibope

Conforme prometido, o TV a Ver divulga os novos resultados das pesquisas de intenção de votos a presidência da república. A candidata do PT Dilma Rousseff segue ganhando em 1° turno de acordo com os levantamentos.

DATAFOLHA
DILMA 50%
SERRA 28%
MARINA 10%

IBOPE
DILMA 51%
SERRA 27%
MARINA 8%

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Texto e vídeo: Íntegra da entrevista de Marina Silva ao Jornal Nacional


Fátima Bernardes: O Jornal Nacional dá continuidade hoje à série de entrevistas com os principais candidatos à Presidência em que nós abordamos questões polêmicas das candidaturas e o desempenho do candidato em cargos públicos que já tenha ocupado. Também o Bom Dia Brasil e o Jornal da Globo realizarão entrevistas nas próximas semanas. O sorteio, acompanhado por assessores dos partidos, determinou para hoje a presença da candidata do PV, Marina Silva. Boa noite, candidata. Muito obrigada pela presença.

Marina Silva: Boa noite, Fátima.

Fátima Bernardes: Bom. E o nosso tempo de 12 minutos dessa entrevista começa a ser contado a partir de agora. Candidata, a sua atuação na vida pública, como ministra, como senadora, foi especificamente voltada para a área do meio ambiente. A senhora não tem uma experiência administrativa em nenhuma outra área, em nenhum outro setor. Como é que a senhora pretende convencer o eleitor de que a sua candidatura é para valer e que ela não é apenas uma candidatura para marcar posição nessa questão do meio ambiente?

Marina Silva: Em primeiro lugar, Fátima, chamando a atenção da sociedade brasileira para a relevância das coisas que a gente está vivendo hoje, e eu sempre penso da seguinte forma: até 2014, qual será a temperatura da Terra? Até 2014, quantas crianças ainda continuarão sem ter a chance de chegar sequer à oitava série? Até 2014, quantas pessoas serão soterradas pelas enchentes por falta de cuidado? E, até 2014, quantos produtos nós não perderemos em função da falta de infraestrutura? Quantas oportunidades nós não perderemos em função da falta de educação de qualidade? E então...

Fátima Bernardes: Quer dizer que a senhora acha que essa questão do meio ambiente passa por todos esses outros setores?

Marina Silva: Com certeza. A minha candidatura é para agora porque o Brasil não pode esperar. Todas essas questões que eu coloquei agora para você, Fátima, elas são uma emergência, uma emergência para o cidadão que fica na fila esperando horas e horas para poder fazer um exame, uma emergência para a mãe que quer ter dias melhores para o seu filho porque ela já não aguenta mais a vida dura que tem e uma emergência para o Brasil, que tem imensas oportunidades de se desenvolver com justiça social, de melhorar a vida das pessoas.

William Bonner: Agora, candidata, perdoe, a senhora é candidata do Partido Verde e, até este momento, apresenta-se na eleição sem o apoio de nenhum outro partido. Se a senhora não conseguiu apoio para formar uma aliança agora antes da eleição, como é que a senhora vai formar uma base de sustentação para governar o Brasil depois, dentro do Congresso Nacional?

Marina Silva: Olha só, Bonner, eu acho que para mim é até mais fácil, sabe? É mais fácil, pelo seguinte: porque eu fico olhando para a ministra Dilma e para o governador Serra e eles já estão tão comprometidos com as alianças que fizeram que eles só podem repetir mais do mesmo, do mesmo quando foi o governo do presidente Fernando Henrique, que ficou refém do fisiologismo dos Democratas. E o presidente Lula, mesmo com toda a popularidade, acabou ficando refém do fisiologismo do PMDB.

William Bonner: Mas veja o raciocínio, o raciocínio que eu proponho...

Marina Silva: Deixe só eu completar meu raciocínio, por favor...

William Bonner: É que tem a ver com isso...

Marina Silva: Não, eu sei, eu sei, só para que a gente possa concluir. É, então, como eu estou dizendo que, se ganhar, eu quero governar com os melhores e já estou dizendo que é fundamental um diálogo entre o PT e o PSDB, estou dizendo que eu quero governar com a ajuda deles. Então eu vou compor uma base de sustentação já respaldada pela sociedade com essa ideia de que nós temos que acabar com a situação pela situação e com a oposição pela oposição e trabalhando a favor do Brasil. É assim que eu quero trabalhar. É isso o que eu estou dizendo e, pode ter certeza, quem pode estabelecer um ponto de união entre essas forças que não conversam e que nos seus oito anos de oposição ou de situação se confrontaram se chama Marina Silva.

William Bonner: A questão que eu ia colocar é a seguinte: se a senhora não conseguiu formar essa base de apoio agora, depois da eleição, uma base de apoio que se forme depois da eleição, não tem uma tendência maior ao tal fisiologismo que a senhora mesmo está criticando?

Marina Silva: Não tem, não tem...

William Bonner: Uma barganha de cargos federais...

Marina Silva: Não tem, Bonner, não tem. Sabe por quê? Porque existe muita gente boa em todos os partidos.

Fátima Bernardes: A senhora olhando para o seu partido, a senhora considera que o PV, ele tem quadros, olhando para os seus colegas, para governar o Brasil?

Marina Silva: Ele tem alguns quadros. Mas quem foi que disse que para governar você tem que governar apenas com os quadros de seu partido?

Fátima Bernardes: Não, eu estou perguntando porque ainda não há um acordo estabelecendo outras alianças.

Marina Silva: O presidente Lula teve de governar, inclusive, com quadros do PSDB. O PSDB trouxe quadros da socidade, da academia. Eu, quando estava no ministério do Meio Ambiente, por exemplo, eu peguei as melhores pessoas que estavam na academia, que já estavam na gestão pública, que estavam dentro, enfim, de ONGs, sim, mas as pessoas mais competentes. E quando precisei, toda vez que precisei, Bonner, de aprovar leis no Congresso, a Lei de Gestão de Florestas Públicas, por exemplo, fundamental para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, eu consegui aprovar os meus projetos com o apoio de todos os partidos, conversando com todos os partidos. É isso que o Brasil precisa. O Brasil precisa de um olhar que coloque em primeiro lugar as necesssidades dos brasileiros, da saúde, da educação, da segurança pública, da infraestrutura.

William Bonner: Ok.

Marina Silva: O nosso país não pode mais esperar e perder tempo com essa briga que não nos leva a lugar nenhum.

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William Bonner: Candidata, vamos falar então... A senhora mencionou a questão, o papel do partido político. A senhora declarou já em algumas entrevistas que deixou o governo Lula e deixou o PT porque discordava da maneira como era conduzida a política ambiental no governo. No entanto, se nós voltarmos no tempo até aquele período do escândalo do mensalão, a senhora não veio a público para fazer uma condenação veemente daquele desvio moral de alguns integrantes do PT. A pergunta que eu lhe faço é a seguinte: o seu silêncio naquela ocasião não pode ser interpretado de uma certa maneira como uma conivência com aqueles desmandos?

Marina Silva: Não, Bonner, não foi conivência, e também não foi silêncio. É que, lamentavelmente, todas as vezes em que eu me pronunciava eu não tinha ninguém para me dar audiência e potencializar a minha voz. Mas eu falava.

William Bonner: A senhora diz dentro do governo?

Marina Silva: Dentro, fora.

William Bonner: Dentro do partido?

Marina Silva: Publicamente, nas palestras que eu dava, eu sempre dizia que aquilo era condenável, que deveria ser investigado, e que deveriam ser punidos todos os que praticaram irregularidades.

William Bonner: Mas, ministra...

Marina Silva: Agora, o que eu dizia sempre, Bonner, era uma coisa, é o seguinte: é que nem todos praticaram erros. E eu não pratiquei. Conheço milhares de pessoas que não praticaram o mesmo erro. E dentro do PT tinha muita gente que combatia junto comigo. Agora, para combater contra a falta de prioridade para as questões ambientais, aí eu era uma minoria. E foi por isso que eu saí. Eu saí porque não encontrava o apoio necessário para as políticas de meio ambiente que façam esse encontro entre desenvolver e proteger as riquezas naturais.

William Bonner: No entanto, o seu desconforto, vamos dizer assim, o seu desconforto ético com o mensalão não foi suficientemente forte para levá-la a deixar o cargo de ministra.

Marina Silva: Foi forte, sim, mas eu sabia que eu estava combatendo por dentro. E que conseguiria ser vitoriosa. Primeiro porque eu não tinha praticado nenhuma irregularidade. Agora, para continuar lutando pelas ideias que eu defendia, isso eu achava que não tinha mais tempo.

William Bonner: E como a senhora analisou...

Marina Silva: Sabe por quê? Porque é possivel, Bonner, sabe, juntar as duas coisas. Existe uma ideia dentro do governo, dos demais partidos, na sociedade, que meio ambiente e desenvolvimento são incompatíveis. E eu conheço muitas empresas que já estão fazendo da defesa do meio ambiente uma grande oportunidade para gerar emprego, para gerar melhoria de vida das pessoas. E posso te dizer uma coisa: toda a vez que as pessoas me dizem ‘mas Marina, as pessoas não entendem isso que você está falando’, eu digo: elas entendem sim, entendem, Fátima. Aqui no Rio de Janeiro...

William Bonner: Só uma coisa, candidata.

Marina Silva: ...quando as casas foram...

William Bonner: Candidata, me permita só uma coisa.

Marina Silva: Não, só concluindo Bonner.

William Bonner: Eu peço para interromper porque em nome do público...

Marina Silva: Isso, tá bom, tá bom.

William Bonner: Porque a pergunta que eu lhe dirigia era sobre um momento muito especifico da história e eu queria que a senhora tratasse dessa questão polêmica e não fosse para outro assunto. Eu estou consumindo 30 segundos da entrevista para fazer esse esclarecimento e eu lhe devolverei para a entrevista. Eu só queria que a senhora esclarecesse para mim qual foi e de que maneira a senhora viu a saída de alguns colegas seus então de PT, alguns, inclusive, fundadores do partido, que deixaram o partido indignados na época do mensalão, chorando. Como a senhora viu a ação deles, que não foi a ação que a senhora teve naquela ocasião?

Marina Silva: Bem, eu permaneci no partido e fiquei igualmente indignada. Fiz o combate a minha vida inteira contra a corrupção e acho que a corrupção, Bonner, é o pior câncer da sociedade. E ninguém pode se vangloriar de ser honesto. Para mim, ser honesto é uma condição do indivíduo. Qualquer pessoa, onde quer que ela esteja, ela tem que ser uma pessoa honesta, seja como político, como professor, como dona de casa, como empregada doméstica. A pessoa tem que ser honesta. Agora, naquele momento em que saíram pessoas do Partido dos Trabalhadores, eu permaneci para dar a contribuição que eu achava que ainda poderia dar dentro do governo, mas não por ser conivente. Agora, tem uma coisa que a gente precisa entender: combater a corrupção é uma luta constante. Como é que a gente combate a corrupção? Com transparência, permitindo que as instituições funcionem, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, criando ferramentas de controle dentro do próprio governo, não permitindo que as coisas vão primeiro se consolidando antes de você fazer o combate necessário. Você tem que identificar durante o processo e fechar a torneira da corrupção quando ela está acontecendo. É isso que precisa ser feito.

Fátima Bernardes: Candidata, vamos abordar, então, um outro tema. Muita gente do governo e fora dele se queixava de que, durante a sua gestão à frente do Ministério do Meio Ambiente, a liberação de licenças ambientais, elas estavam muito lentas, e que isso, licenças ambientais para obras de infraestrutura, e que isso atrapalhava o desenvolvimento. Como é que a senhora enxergava essas críticas de que essa demora possa ter atrasado essas obras?

Marina Silva: Olha, naquela época até com uma certa naturalidade. Sabe por quê? Porque o ministério estava todo desestruturado e eu tinha que fazer concurso, e eu tive que criar várias diretorias e coordenadorias. Só que, quando nós começamos a arrumar a casa, aumentaram significativamente as licenças. No governo anterior, era uma média de 145 licenças por ano. Na minha gestão, foi de 265 licenças por ano. Agora, uma coisa eu posso te dizer: é possível aperfeiçoar o licenciamento? É possível aperfeiçoar. E com esse aperfeiçoamento você vai viabilizar com mais agilidade, sem perda de qualidade, a infraestrutura do Brasil, que hoje, de fato, está colapsando. Nós temos problemas com os aeroportos, nós temos problemas em relação a estradas, nós temos problemas em relação a energia, tudo isso pode ser oferecido para a sociedade compatibilizando duas coisas: meio ambiente, melhoria da vida das pessoas e o desenvolvimento que o Brasil precisa.

Fátima Bernardes: Quer dizer, nesse caso, a senhora está dizendo que no caso da senhora estando no governo, essa lentidão, ela, por exemplo, não vai provocar esse atraso ainda mais ou agravar ainda mais esses gargalos que a senhora citou, econômicos, e provocar, por exemplo, no setor energético, um risco de um novo apagão por demora na liberação dessas licenças?

Marina Silva: De jeito nenhum. Nós vamos trabalhar com o sentido de urgência que esse país tem para a sua infraestrutura, tanto em aeroportos como na questão da energia, das estradas, tudo o que o Brasil precisa para se desenvolver, Fátima. E vamos fazer isso sem negligenciar os cuidados com o meio ambiente, mas tendo a clareza de que o desenvolvimento do nosso país melhora a vida das pessoas. Sabe como melhora a vida das pessoas? Quando aquela família, que muitas vezes não tem como conseguir um emprego, começa a conseguir um emprego. Quando aquela mãe que não teve uma chance na vida, que é uma mulher pobre, não teve uma chance na vida, ela sabe que, se tiver uma escola melhor, o seu filho pode ter dias melhores. Eu sei o que significa educação, porque foi com a educação que eu consegui entrar pela porta da frente no Brasil.

William Bonner: Candidata, a senhora tem 30 segundos para se dirigir ao eleitor e pedir a ele o seu voto, dando a ele a última mensagem. Por favor.

Marina Silva: Bem, primeiro eu quero agradecer a Deus por estar aqui, porque eu sei que esse país é um país maravilhoso. Só num país como o Brasil, com a democracia que temos, é possível uma pessoa que nasceu lá na Floresta Amazônica, que foi analfabeta até os 16 anos, que teve que passar por várias dificuldades de saúde, pode chegar aqui na condição de se colocar como a primeira mulher de origem humilde para ser presidente da República. Esse Brasil já conseguiu restaurar sua democracia, teve um sociólogo que fez as transformações econômicas, um operário que fez as transformações sociais e eu para fazer as grandes transformações na educação.

William Bonner: Obrigado, candidata. Muito obrigado pela sua participação aqui, ao vivo, no Jornal Nacional.

Marina Silva: Eu é que agradeço.

William Bonner: Quero lembrar que, amanhã, o entrevistado aqui no JN será o candidato do PSDB, José Serra.

O conteúdo é do portal G1, onde se hospeda o site do Jornal Nacional.

TV a Ver também sabatina candidatos a presidência

O TV a Ver também veiculará entrevistas exclusivas com os candidatos a presidência da república no decorrer dos próximos dias. As assessorias de todos os presidenciáveis foram contactadas por nossa equipe.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Futebol massacra debate da Band

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A Band atingiu resultados pífios de audiência com a transmissão do 1° debate das Eleições 2010. De ponta a ponta, a discussão de ideias entre os candidatos marcou 3 pontos, mas chegou a ficar com apenas 1 durante os momentos mais críticos. Enquanto isso, a Globo marcava 10 vezes mais ao modificar a grade para transmissão do jogo entre São Paulo e Internacional pela Libertadores. Mas não é para comentar a falta de estratégia da emissora da família Saad que fizemos esse post, como um bom blog politizado iremos abordar as propostas e performances dos candidatos presentes no Debate.

Conheça também o projeto da Globo para as Eleições

Dilma Rouseff
Para estreia, a ex-ministra até que não estava tão mal. Conseguiu reagir bem aos ataques que partiam de todos os lados, apenas foi pega de surpresa em questões como o mutirão da catarata e o apoio as APAEs. Essa falta de informação podia a complicar em uma situação de maior exposição.

José Serra
Com experiência de sobra, Serra aparentou ser o mais sereno entre os presentes. Sofreu por não poder ir diretamente contra o atual governo, já que não é uma boa criticar um presidente com 80% de aprovação.

Marina Silva
A candidata verde seguiu uma vibe do bem. Tentou se manter sem participar das discussões mais quentes, o que acabou a deixando um tanto quanto excluída do contexto.

Plínio Arruda
O candidato do PSOL não tinha nada a perder, então ousou bastante. Fez piadas, reclamou de não ser perguntado e ganhou votos. O senhor de 80 anos virou hit nas redes sociais e pode ganhar votos graças ao protesto dos jovens.