Redirecionamento

Mostrando postagens com marcador Serra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Serra. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de outubro de 2010

PRIMEIRO DISCURSO DÁ TOM DO GOVERNO DILMA

O discurso inaugural de Dilma Rousseff como presidente eleita do Brasil já deu um tom de como deverá ser o seu governo.

31 DE OUTUBRO DE 2010: UMA PÁGINA DA HISTÓRIA ESCRITA

A princípio com forte apoio de Lula, depois adquirindo luz própria. Negociando com a oposição apenas quando for necessário, se aproveitando da ampla maioria da base aliada. Ser menos paciente com acusações de corrupção que o atual governo. Claro que a candidata não polemizou tanto assim logo de começo, mas nas entrelinhas esses foram alguns dos pontos mais notáveis do primeiro pronunciamento de Dilma a nação. A ex-ministra optou por um discurso técnico, onde o único momento de emoção foi ao citar o presidente Lula.

As 50 palavras mais citadas por Dilma em seu discurso

José Serra, candidato derrotado, preferiu ser mais sucinto em seu discurso. O tucano deixou em aberto a possibilidade de ainda disputar a Presidência em 2014 e visivalmente emocionado fez um agradecimento a seus militantes, até mesmo os do mundo virtual. Abaixo, você confere a íntegra de ambos os discursos.


O tamanho da nação será exatamente do tamanho da grandeza daquilo que fazemos por ela
Dilma Rousseff


Quis o povo que não fosse agora
José Serra 

sábado, 30 de outubro de 2010

Dilma cai, mas mantém ponta e deve ser 1° presidente do Brasil


Clique nas imagens para ampliar

Datafolha e Ibope mostraram queda de 2% de Dilma Rousseff nos votos válidos, mesmo assim a petista segurou uma vantagem larga e deve se garantir como a 1° mulher a ser eleita presidente do Brasil amanhã. Mais cedo, o Sensus também tinha indicado a liderança folgada de Dilma.

Gabriel Luiz: O rumo do Brasil nos próximos 4 anos está em jogo

Acabou. Após mais de dois meses de campanha exaustiva tanto para o candidato quanto para o eleitor, ela está enfim encerrada. E o que podemos guardar como saldo final dessas eleições? Que balanço podemos fazer a um dia do Gran Finale? Devemos nos envergonhar da forma em que a disputa foi conduzida, priorizando temas restritivos – como, entre outros, a questão religiosa – em detrimento de propostas concisas para o futuro do nosso país? Ou deveríamos nos alegrar da real aplicação da lei da Ficha Limpa, depois de muita reviravolta por causa de um polêmico tempo verbal? Convido você faça comigo uma análise dos pontos mais impactantes dessas Eleições 2010.

Lula, o grande cabo (de guerra) eleitoral e os candidatos improvisados

http://www.blogdacomunicacao.com.br/wp-content/uploads/2009/02/dilma-e-lula.jpg 
Lula e Dilma durante o lançamento do PAC

Antes desconhecida, hoje com 57% dos votos válidos, Dilma Rousseff é a obra-prima do Presidente Lula. Usando sua popularidade recorde, ele fez o Brasil descobrir a sua candidata. A sua influência sobre a campanha petista foi além das gravações de programa eleitoral: Lula foi amplamente criticado por deixar de lado as funções da Presidência a ele atribuídas e apenas focar na campanha da Dilma. De fato, ele teve maior participação nessa campanha do que os próprios candidatos e conseguiu convencer o seu eleitorado de que Dilma é sinônimo de continuidade. Se isso é verdade ou não, é a partir do dia 1° de janeiro de 2011 que saberemos.

Já do lado do PSDB, a maior confusão é a escolha do candidato. Enquanto todos apostavam na indicação do Aécio Neves, o candidato tucano seria José Serra, ex-governador de São Paulo. Antes liderando as pesquisas iniciais, ele demorou muito para escolher seu vice (desconhecido também), Índio da Costa. Essa definição tardia possibilitou à candidata petista ultrapassá-lo. Apesar da constante queda, o ex-presidente FHC não foi em nenhum momento associado à campanha de Serra.


A participação da mídia

No fundo, quem pautava a campanha era a mídia. Quem lutava nessa campanha era a mídia. Era ela quem descobria os escândalos, ela quem definia o clima da disputa, ela quem vangloriava ou aniquilava determinado candidato.

Pela primeira vez, os jornais se assumiram e definiram os seus candidatos. É o caso, por exemplo, do Estado de São Paulo que em seu editorial manifestou apoio ao José Serra. Para o (e)leitor, isso representa a franqueza da imprensa, antes acusada de parcialidade. Ela ainda é tendenciosa... Mas declarada.

A mídia se atacou, se mordeu, se enforcou. Assistimos a uma verdadeira disputa entre as maiores revistas do Brasil. Quem não se lembra das revistas VEJA e ISTOÉ e suas capas antitéticas pró-Serra, pró-Dilma?

Mas a mídia também foi perseguida. Lula, no calor de um comício, deixou escapar que a imprensa tem muita liberdade. Fez acusações diretas à revista VEJA, e declarou repúdio à revista depois de uma matéria sobre a Erenice Guerra e o escândalo na Casa Civil. Dilma acusava a imprensa de criar factoides para prejudicá-la.

Curioso é que nos dias seguintes à essa matéria da VEJA, o governo afastou a Erenice. Se a imprensa é realmente mentirosa, não seria feio demitir uma inocente?


Baixaria eleitoral

Bolinha de papel, balão cheio d’água, calúnias na internet, foco no aborto e na questão religiosa, direitos de resposta...uma campanha marcada pelo alto grau de baixaria.

No evento da bolinha de papel a proporção do ataque foi minimizada. Não que uma bolinha de papel faça um grande estrago. Mas o que podemos dizer de militantes que não se respeitam, que não sabem aceitar as diferenças, que não conseguem controlar os ânimos? A real ferida não é a careca do Serra, nem o topete da Dilma. Quem sai sangrando nessa história toda é a democracia, que assiste de cima a esse lamentável espetáculo.

Debates fracos e palhaçada

Foram inúmeros os debates, e o que podemos nos lembrar deles? No que se refere a, tergiversar, trololó... Triste, não é? Foram debates mornos, concentrados em apenas um eixo (num tivemos privatizações, noutro Erenice/Paulo Preto, em um outro, aborto...). Quanto às propostas apresentadas, não tivemos nada além de mútuas acusações e enrolation entre os candidatos.

Já no último debate de ontem, na Rede Globo, caracterizado pela excelente mediação do William Bonner, o formato foi diferente. Diante de 80 eleitores indecisos, o nível foi mantido e propostas – ou pelo menos o que se pareça com isso – foram apresentadas. Uma pena que tenha sido tão tarde.

Mas essas Eleições foram também marcadas pelos candidatos digamos... não convencionais. Weslian Roriz foi diversão garantida nas noites de debates. Tiririca, durante o horário eleitoral. Lindolfo Pires e seu jingle na versão de Beat It assegurou muitas risadas no YouTube. Não, eu não estou defendendo a candidatura duvidosa deles. Acho triste que algo tão importante como a Política vire show de humor. Mas o que eles têm de mais palhaço do que um Sarney ou Collor da vida?

Ficha Limpa, título de eleitor e campanha virtual

Com decisão do STF, a lei da Ficha Limpa vale para essas eleições. Isso fez com que centenas de candidaturas fossem impugnadas, como a de Jáder Barbalho (PMDB-PA). A lei da Ficha Limpa é símbolo de um possível retorno da credibilidade da Política, hoje desacreditada.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZL1CJJ9dLTxnWZnQqhJTlscHoIidK7I2hbeIpnf5d0ymyNtImCfcintcFWR4iyx4Clgmn_d1rZ7DtTWTD3doRZXau6Stsh1dokGN3rSGQIuEBS9IpqfFVmTHpJ1BUsh2CwP9R5S_gyHY/s320/T%C3%8DTULO+DE+ELEITOR.jpg 
Título de eleitor: Vocêo usa para tudo, menos para votar

Título de eleitor, pra quê? Para tirar passaporte, para se inscrever na faculdade... Para votar? Não. Hoje você pode votar com qualquer documento com foto. Portanto, aguardo o dia em que poderemos dirigir apenas munidos com a carteira de identidade.

Os candidatos também ultrapassaram os limites físicos e tiveram participação no mundo virtual, aos moldes da campanha que elegeu Barack Obama. O eleitor pôde acompanhar a rotina do seu candidato, apoiá-lo e conversar com ele pelo Twitter. E essa é uma tendência digital que veio para ficar! Buscou-se o eleitor onde ele de fato está. Hoje não mais diante da televisão e sim, na grande maioria, navegando na Internet.



Marina Silva e os institutos de pesquisa

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiy75XGeS6wjdwJn8qHFM6MsJh7h9VieSAfiNQocl3IHRBfA8AwOvKZ_n_e_HJPyPrwZOFHIkn_njr8-Rpp9CSxhTsyJos7u4l6pJ9uVfKZGc_ptWBcb8WaiT7Ir3A-Cm5fhN0_ifGkVc8/s1600/Marina+Silva_PV.jpg 
Marina foi flertada por Dilma e Serra no segundo turno, 
mas preferiu assumir neutralidade em decisão conjunta com o PV

Ninguém discorda de que o crescimento da Marina Silva, representando uma política despolarizada para um eleitorado farto de tanto escândalo, foi o grande causador do segundo turno. Marina reacendeu o interesse dos jovens pela Política. Marina encantou e apresentou propostas. Marina surpreendeu quando todos os institutos de pesquisa a subestimavam.

Esses mesmos institutos que definiam a vitória petista no primeiro turno agora enfrentam a desconfiança do brasileiro, que não entende os critérios das pesquisas e questiona sua veracidade. A tão famosa margem de erro virou motivo de chacota aqui na Internet.

Agora que o jogo está feito, o que nos resta é esperar pelo resultado neste domingo. Vote com consciência e lembre que o voto direto, antes de tudo, é um direito conquistado a grande pena. Muito sangue fora derramado por esse direito ao qual não é dada tanta importância. Um direito que define o futuro do nosso país e que está em suas mãos. Eleição não é festa da democracia e sim o momento de reajustar os seus ponteiros.

Dito isso, bom voto!

Siga-me:

Daniel César: As péssimas estratégias dos candidatos na TV


El último cara a cara 
Falar de eleição não é uma tarefa fácil. Jornalistas gostam, há os que se dizem especialistas seja na TV, no rádio, na internet ou em quaisquer mídias. Porém, é uma tarefa difícil escrever dum tema complexo e que é considerado por estudiosos como uma ciência que precisa ser vista do ponto de vista puramente estatístico e histórico, o que quase nunca é feito, principalmente porque é quase impossível separar paixão por determinado candidato ou grupo para se fazer uma análise.

Por isto é tão difícil falar do tema. E, portanto, não quero entrar em detalhes sobre meu voto neste domingo. Tenho minhas crenças políticas e me basearei naquilo que sempre acreditarei para a melhoria do país ao ir às urnas neste dia 31, mas isso, não é uma verdade absoluta, é apenas minha visão e este é o charme da democracia.

Porém, Política vs. TV já não é algo tão complexo e que seja visto como ciência. Longe disso, é possível fazer uma análise tranqüila, equilibrada e que evite julgamentos do tipo “você escreveu isso por gostar de candidato a ou b”. E é disso que falarei.

O que se viu neste momento político do Brasil – que deveria ser histórico, já que é a primeira Campanha democrática brasileira sem a presença do presidente Lula como candidato – na TV não foi uma discussão pautada em ideais, crenças e projetos para o país. Ambos os candidatos optaram pela comparação.

Serra, se apoiou em sua biografia e dela ficou refém durante todo o segundo turno, no primeiro turno isso havia sido menor. Exagerou nas propagandas mostrando todos os cargos públicos que teve e tentando mostrar que sua oponente nunca havia sido eleita a nada e o não tinha currículo comparado ao dele.

Evidente que o currículo é importante, porém, não faz muita diferença o que ele foi ou deixou de ser. Importa mesmo o que ele é. O candidato errou ao não mostrar-se para a população como pessoa, como cidadão que tenta ajudar seu próximo exercendo um cargo público. Serra sempre foi acusado de ser elitista e distante e, ao não se mostrar do povo, cometeu um grave equívoco.

Dilma também se apoiou na comparação. Comparou o Governo Lula com o Governo FHC. Independente dela achar o atual melhor que o anterior, ela errou. Dia 1 de janeiro de 2011 Lula não será mais presidente e não adianta ela tentar se mostrar como extensão do Lula, ela não é e isso é perigoso para ela e também para ele – alguém lembra do Maluf e do Pitta? 

Além do que, Dilma cometeu erros de mostrar conquistas do Governo Lula na qual ela não teve nenhuma participação direta, apenas tentando induzir o telespectador a votar nela automaticamente por gostar do Lula. Pura balela. Dilma não se mostrou como uma pessoa preparada para exercer o principal cargo público do país.

E os ataques? O que foram os ataques? Serra partiu para cima de Dilma, Lula e das pessoas próximas a eles que estiveram envolvidos em corrupção nestes 8 anos. Serra não poupou nos ataques e transformou a Campanha num circo eleitoral, com direito a colocar a fé e religião no meio. Dilma, em contrapartida tentou a todo custo minimizar os corruptos que a cercam e maximizar corrupção na campanha do PSDB – que não se compara a corrupção com dinheiro público. Ela atacou Serra como pessoa em alguns momentos e isso mostrou seu completo descontrole emocional diante da crise.

A campanha eleitoral chegou ao fim e a torcida é que para quem vencer consiga governar o país melhor do que ambos governaram suas Campanhas. Porque, se a base forem as Campanhas do 2º turno, o Brasil está perdido.
Siga-me:

As capas das principais revistas semanais antes das Eleições

Como não poderia deixar de ser, as Eleições dominaram as capas das 3 principais revistas semanais brasileiras.


Ninguém entendeu a escolha da capa da Veja. Quando todos esperavam uma denúncia contra Dilma Rouseff, veio uma insuação de que o presidente Lula quer se manter no poder. Meses atrás, a publicação destinou várias capas a ideia de que Lula tentaria forçar um 3° mandato.


Época investiu na comparação entre os candidatos, como já havia feito na semana anterior. A revista publicou uma entrevista feita com os 2 presidenciáveis.


ISTOÉ também investiu na comparação. Mas preferiu fazer um duelo entre os governos FHC e Lula. A publicação que se mostrou favorável a Dilma Rouseff durante toda a campanha, mostrou vários fatos conseguidos pelo governo petista.

CNT/Sensus também indica vitória de Dilma: Veja resultados completos da pesquisa

Pesquisa CNT/Sensus divulgada neste sábado mostra Dilma com 14 pontos de vantagem sobre Serra nos votos válidos. Os números são bem similares aos da última pesquisa divulgada pelo Ibope.

Clique na imagem para ampliar

O TV a Ver também divulga os números específicos do levantamento, nesse caso divulgados em votos totais:

REGIÃO
------------
Nordeste
Dilma 61,2%
Serra 30,5%

Norte/Centro-Oeste
Dilma 49,7%
Serra 44,2%

Sudeste
Dilma 47,2%
Serra 37,6%

Sul
Serra 44,7%
Dilma 38,7%


ZONA RESIDENCIAL
----------------------------
Zona urbana
Dilma 49,6%
Serra 37,5%

Zona rural
Dilma 53,9%
Serra 38,5%

SEXO
--------
Masculino
Dilma 53%
Serra 37,2%


Feminino
Dilma 47,8%
Serra 38,1%


IDADE
---------
16-17 anos
Dilma 48,3%
Serra 40%


18-24 anos
Dilma 48,6%
Serra 42,5%


25-29 anos
Dilma 50,8%
Serra 38,2%


30-39 anos
Dilma 55,5%
Serra 32,7%


40-49 anos:
Dilma 48,4%
Serra 36,1%


GRAU DE INSTRUÇÃO
----------------------------------
Fundamental incompleto
Dilma 52,7%
Serra 33,7%

Fundamental completo
Dilma 48,7%
Serra 41,2%

Médio
Dilma 49,8%
Serra 37%

Superior
Dilma 48,3%
Serra 41%

Daniel Silva: Porque Serra não será presidente

Este colunista arrisca-se a antecipar o resultado de amanhã para elencar os principais motivos, a seu ver, que levarão Serra a não conseguir se eleger Presidente do Brasil. Essa deve ser a última tentativa do tucano, já que Aécio, pressionado, cedeu sua vez, mas está se preparando para vir com tudo em 2014. Analisando o decorrer da campanha eleitoral, temos bastantes motivos para apontar escolhas erradas de estratégia, que levarão o tucano ao fracasso nesse pleito presidencial de 2010.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCmNiVVcEK83Z6-5VjuQQbTcsPhFriTVzxCVerIzSR5bY1owIfFNtbN6bQOjWHp-gKVUTSeqbwvuAIdV8hh03-qblkfpw4OP4i6s-y4MDn6mzXOPJmhGFJG_i7nxD0yyNLlxyaGI7jQ64/s400/serra2-580x350.jpg 

1 - Racha tucano:

Não é bom começar a campanha já com um grande revés. Para ser o escolhido do partido, Serra pegou as pesquisas da época, que o apontavam como favorito, e praticamente passou como um rolo compressor em cima de Aécio. Não levou em consideração o sucesso do governo mineiro e nem o bom relacionamento de Aécio com o presidente Lula. Subestimou a força de uma chapa puro sangue.

Mais uma vez o tucanato paulista decidiu, impôs e esqueceu que os outros grandes centros do país, principalmente o nordeste, são fundamentais nas eleições.

Assim, preferiu a verba de um Índio sem expressão alguma para ser vice, em detrimento de uma chapa possivelmente capaz de combater um presidente-mito.

O apoio de Alckmin e Aécio, agora no final da campanha, é apenas para mostrar ao partido e lavar as mãos da derrota de Serra.

Entretanto cabe ao FHC um mea-culpa. Figura máxima do partido, ele deveria ter atuado de forma ativa em unificar o partido e permitir uma decisão consensual - coisa que Lula fez com facilidade mesmo após decidir sozinho que queria a Dilma.

2 - Imagem:

Serra não conseguiu consolidar uma única imagem durante o processo eleitoral. No início, por medo da força quase mítica de Lula, tentou lançar-se como um legítimo sucessor, usando até a imagem do presidente em sua campanha na TV. Soou mal. Passou então a oposição implacável, criticando tudo que fora feito pelo PT. Esqueceu-se apenas que não é tarefa simples criticar um governo que finda com 81% de aprovação popular.

Também forçou uma imagem empática, quando o país sabe que simpatia não é seu forte. É complicado terminar todo debate com aquele discurso de paz amor, se minutos antes o telespectador havia presenciado debates tensos e nada amigáveis.

3 - Escândalos:

Serra aproveitou-se dos escândalos de forma amadora e não conseguiu tirar deles nenhum abalo significativo a candidatura petista. Usou até a própria família para se vitimizar e não houve eleitor que desse atenção a um trololó ocorrido há um ano. Ou seja, o tucano guardou informação para uso político e ficou fácil perceber isso.


4 - Religião:

Serra nunca foi evangélico, mas de repente, de maneira não muito crível, virou o maior seguidor de Jesus. Tal qual capaz inclusive de parafrasear texto bíblico em santinhos, na tentativa de se alçar representante desse grande grupo social. Soou falso demais.

Tudo que ele iria acabar conseguindo, se tivesse mais tempo antes do primeiro turno, era perder o segundo lugar para Marina, essa sim realmente ligada à bancada evangélica. O tucano acabou sendo mais um numa guerra particular por poder dentro da igreja, no confronto direto entre Silas Malafaia e o bispo Edir Macedo.

5 - Central de boatos:

Na falta de uma estratégia eleitoral assertiva, o tucanato espalhou uma série de boatos sobre a petista. Do dia para a noite, Dilma praticamente virou o anticristo, assassina de criançinhas, lésbica, ameaça as famílias, entre outros.

Na ânsia de virar o jogo, o PSDB esqueceu lições importantes: Todo manual de publicidade ou marketing diz que é melhor roubar as características do produto líder que tentar desqualificá-lo. E falhou quando não observou que o ex-prefeito do Rio, César Maia, maior usuário de factóides em eleições, terminou no limbo político carioca.

6 - Medo:

Outro erro feio foi tentar usar novamente a tática do medo. Fizeram em 2002 e não deu certo. Dessa vez, seria medo do despreparo de uma adversária que nunca teve um cargo eletivo.

Faltou captar que o país aprendeu a gostar e respeitar da gestão petista. Seria quase impossível verter esse medo em conquista de votos da Dilma quando do outro lado tem um presidente idolatrado dizendo com fervor ao país que basta votar na sua candidata para que tudo continue caminhando como está.


7 - Gestor eficiente:

Serra não soube usar seus vários cargos de administrador público para lhe garantir uma imagem de gestor mais qualificado. Sempre que citou sua atuação pública, geralmente tentou comparar um governo de 8 anos atrás, do qual a população não se lembra ou não gostou. Fixou os debates sobre gestão na sua condução dos genéricos e da AIDS. Não ficou claro para o eleitor do restante do país o que ele andou fazendo de bom nesses últimos anos em São Paulo.

Ou seja, Serra perdeu a oportunidade de consolidar sua imagem de administrador, falou muito do tempo que era ministro, talvez para mostrar sua capacidade de abranger todo o país, mas fez um uso aquém do seu período como comandante de São Paulo.

Todos esses motivos, de um lado, e a força de um presidente, que por sua trajetória de vida, se torna um representante legítimo do povo brasileiro, fatalmente levarão Serra ao insucesso nesse domingo, 31 de outubro.

Aos tucanos, fica a lição clara: ou revejam seu modo de ser oposição, ou poderá encarar em 2014 ainda um possível retorno de Lula.

Siga-me:

Lucas Félix: Brasil sairá fortalecido das urnas neste domingo

Independente de quem surgir como vencedor, o Brasil sai mais forte que entrou dessas Eleições. As mais importantes dos últimos 8 anos,com 6 votos no 1° turno.

http://noticias.r7.com/blogs/eleicoes-2010/files/2010/10/dilma_serra_wiltonjuniorae.jpg 

As Eleições 2010 deixaram sua marca na história. Figuras históricas como Arthur Virgílio e Marco Maciel foram derrotadas nas urnas. Nas disputas estaduais, a onipresença do presidente Lula conseguiu eleger uma maioria gigantesca de seus aliados, mas o super-presidente não conseguiu obter o mesmo êxito em São Paulo e Minas Gerais, os 2 maiores colégios eleitorais do Brasil. Na Câmara e no Senado, os aliados da atual base governista também conseguiram maioria absoluta.

A disputa também marcou o surgimento de novas figuras que iremos lembrar por algum tempo. Plínio de Arruda movimentou os debates e livrou o eleitor do tédio em diversas ocasiões, Marina Silva foi a 3° colocada a receber mais votos na história do Brasil e surpreendeu com 20% dos votos, o palhaço Tiririca foi amado por uns e odiado por outros, mas conseguiu ser o candidato a deputado federal mais votado em 2010 e até mesmo Weslian Roriz que virou símbolo dos debates eleitorais.

Porém, as figuras centrais desse jogo foram Dilma Rousseff e José Serra. De acordo com as pesquisas; Dilma abriu 20 pontos de diferença em alguns momentos, mas também chegou ao empate técnico em outros. E chega ao final com uma vantagem considerável que pode a consagrar como presidente do Brasil amanhã.

Tensão

http://noticias.r7.com/blogs/eleicoes-2010/files/2010/10/dilma3_debate_agestado_m.jpg http://noticias.r7.com/blogs/eleicoes-2010/files/2010/10/serra3_debate_agestado_m.jpg

A campanha promoveu vários momentos de tensão. Boatos sobre o aborto começaram a baixar o nível, sendo contra-atacados depois com boatos sobre a privatização de empresas. Bolinhas de papel e bexigas de água foram atiradas contra os candidatos. Saúde e educação deram lugar a Erenice Guerra e Paulo Preto, ex-assessores dos candidatos que se envolveram em esquemas de corrupção. Enfim, propostas mesmo só ontem com o modelo forçado do debate global.

Nova potência

O Brasil se consolida como uma das novas forças econômicas do mundo e nenhum dos candidatos que ganhar deve atrapalhar esse processo. Tanto Dilma quanto Serra devem seguir a política atual, sem nenhuma grande mudança. O próximo presidente terá o trabalho apenas de ir remando o barco que já está seguindo seu rumo certo.

Siga-me:

Fábio Fonseca: Acaba a campanha eleitoral mais quente dos últimos tempos

Mais de 3 meses de debates (ao todo foram 10), centenas de comícios e carreatas, entrevistas e campanhas pela Internet foram necessários para Dilma e Serra mostrarem todo o seu potencial para ser o novo presidente do Brasil, e para que os eleitores brasileiros decidissem seus votos. Muitas propostas, promessas, indiretas, ofensas e mais algumas acusações foram trocadas por ambos os candidatos. A partir de agora não poderá mais haver qualquer tipo de campanha eleitoral. A ansiedade, tensão e medo são os sentimentos da vez.


http://noticias.r7.com/blogs/eleicoes-2010/files/2010/10/serra_dilma_marcosae.jpg 

Daqui a pouco mais de 24 horas será escolhida, por nós, uma pessoa para que nos represente em Brasília e lá fora nos próximos 4 anos. Para os candidatos a vontade de estar na frente de tudo, de estar no poder, de poder fazer e mudar.

Agora, só resta esperar o anúncio de quem irá governar essa nova potência mundial que está surgindo.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Debate morno pode consolidar vitória de Dilma

http://veja.abril.com.br/assets/pictures/21305/debate-globo-serra-dilma-20101029-04-size-460.jpg?1288399664 

Mais um debate. O mais assistido, porém apenas mais um. É essa a sensação que fica após o debate da Globo. O formato conseguiu promover o único confronto de propostas e ideias dessa Eleição, mas isso acontece quando apenas 4% dos eleitores estão indecisos. No momento da definição do voto, temas como aborto, Paulo Preto, Erenice Guerra, privatizações e a bolinha de papel que dominaram os confrontos.

Os eleitores indecisos desempenharam papel semelhante ao dado a jornalistas em debates anteriores e os candidatos também repetiram o que já haviam feito. Responderam o que quiseram, mudando de foco completamente durante réplicas e tréplicas. Sempre constando que a pergunta do indeciso era "essencial" e "muito interessante".

O único momento que conseguiu quebrar o sono foi a confusão envolvendo Dilma, Bonner e o cronômetro que conseguiu arrancar risadas de praticamente todos os presentes.

Nas considerações finais, os candidatos praticamente repetiram o que haviam apresentado nos desfechos de seus programas eleitorais. Para se ter uma ideia de como o debate foi entediante, o enquadramento da câmera se tornou a grande discussão após seu término.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ibope indica eleição de Dilma com 14 pontos de vantagem

 Clique na imagem para ampliar

Nova pesquisa Ibope indica Dilma Rouseff abrindo 14 pontos de vantagem sobre José Serra - mais 2 do que a pesquisa anterior - Com esse resultado, a petista seria eleita presidente do Brasil no próximo domingo.

Ironicamente, a diferença entre Dilma e Serra no 1° turno também foi de 14 pontos.




Na web, Serra é o favorito

Como ocorre na maioria das enquetes feitas exclusivamente pela internet, nesse setor José Serra teria uma eventual vitória no próximo domingo. Pela parcial realizada pelo TV a Ver e que teve 1.000 votos (o limite máximo do servidor), Serra tem 63% contra 37% de Dilma.





Editado por @lucasfelix para acréscimo de informações

sábado, 2 de outubro de 2010

A mídia dá um exemplo de imparcialidade ou será que desistiram do Serra?

Sempre se comenta da postura parcial que Globo, Veja e Folha teriam diante de certos candidatos. Muitos citam episódios históricos para dar indícios até de manipulação, mas o que podemos ver em 2010 é que felizmente a igualdade entre todos os candidatos está prevalecendo.

O debate da Globo foi extremamente calmo e não conseguiu dar grandes benefícios e nenhum dos candidatos, as cenas mostradas nos telejornais seguintes ao debate também não favoreceram ninguém. Depois de 4 capas com escândalos sobre o governo Lula e Dilma, a Veja desse final de semana teve um tom bem mais ameno e fez uma crítica indireta a todos os candidatos. Mesma postura que a Folha de S. Paulo adotou nessa semana, depois de usar títulos até sensacionalistas para criticar a petista.

Será que nossos meios de comunicação estão realmente imparciais ou apenas viram que não havia chance de vitória de José Serra? Uma pergunta quase tão emblemática quanto a de se teremos ou não 2° turno nessa disputa presidencial. Para última questão, amanhã teremos a resposta.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Veja o resumo do debate entre os presidenciáveis da Record

http://p1.trrsf.com.br/image/get?src=http://img.terra.com.br/i/2010/09/26/1661923-4355-atm14.jpg 

Dilma Rousseff manteve a impaciência que havia demonstrado nos debates anteriores no encontro promovido ontem pela Record. Nem mesmo a folgada liderança nas pesquisas parece suficiente para acalmar a petista que guaguejou por diversas oportunidades.

José Serra demonstrou claro abatimento, ficando apático na maior parte do tempo. O candidato não partiu para o ataque como era esperado e praticamente deu sinais de não estar mais para valer na briga pela presidência.

Se faltou energia para Serra, essa veio para Marina. A ex-ministra do Meio Ambiente estava empolgada com seu recente crescimento nas pesquisas de intenção de voto e participou mais ativamente que nos encontros anteriores.

Na casa dos 0% nas pesquisas, Plínio não deixou de dar seu show. O discurso radical e extremista atraiu diversos aplausos da plateia e uma grande repercussão em sites como o Twitter. Resta aguardar se tudo isso será suficiente para fazer o candidato pontuar nas próximas pesquisas.

Audiência

http://portalexame.abril.com.br/imagem/debate-record-460.jpg 

De acordo com os números consolidados, o debate manteve o 4° lugar na audiência mas também manteve o posto de debate mais visto até agora. Segundo a Record, 1.5 milhão de internautas acompanharam o confronto pelo portal R7.

domingo, 26 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

Dilma mantém dianteira em novas pesquisas Datafolha e Ibope

Conforme prometido, o TV a Ver divulga os novos resultados das pesquisas de intenção de votos a presidência da república. A candidata do PT Dilma Rousseff segue ganhando em 1° turno de acordo com os levantamentos.

DATAFOLHA
DILMA 50%
SERRA 28%
MARINA 10%

IBOPE
DILMA 51%
SERRA 27%
MARINA 8%

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Os lados já estão definidos

Depois do tom agressivo na entrevista de Dilma Rouseff ao Jornal Nacional, William Waack que complicou a Globo ao soltar um cala boca Dilma no meio de uma matéria. Microfone aberto é um perigo, né? Boris Casoy deve saber bem disso.

Direito de resposta da Globo 

O Jornal da Globo vai ao ar, ao vivo, diretamente da redação em São Paulo, com seus jornalistas trabalhando normalmente durante a exibição. Ocasionalmente, as conversas na redação se avolumam e o som prejudica a concentração dos apresentadores. Não é frequente, mas não é raro. Nessas ocasiões, pede-se silêncio. Foi o que aconteceu na última quinta-feira, na exibição da cobertura do dia-a-dia dos candidatos, durante a reportagem sobre a candidata do PT, Dilma Roussef. Incomodado com o barulho, o apresentador William Waack, dirigindo-se ao assistente de estúdio e se referindo aos colegas de redação, localizados atrás da bancada, disse, rapidamente: Manda calar a boca. Infelizmente, por falha técnica, o microfone de Waack estava aberto e a frase foi sobreposta à reportagem. Trecho desse incidente, sem essa explicação, foi postado na internet, razão pela qual essa nota está sendo divulgada. Aos telespectadores, a TV Globo pede desculpas pela falha.
Mas no Twitter, um jornalista e o proprietário da Record estão prontos para fazer a defesa de Dilma.

O problema do Serra é ... o Serra. Ele é um blefe
Paulo Henrique Amorim 

Presidente Lula é humilhado... e os humilhados são... - http://migre.me/185KH
Edir Macedo


Nada declarado abertamente, como devemos esperar, mas quem aqui não notou o candidato preferido de cada emissora nas eleições 2010?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Texto e vídeo: Íntegra da entrevista de José Serra ao Jornal Nacional

A entrevista com o candidato demorou a ser postada devido a atrasos da postagem integral no próprio portal G1, onde se hospeda o site do Jornal Nacional. 


William Bonner: Nesta semana, o Jornal Nacional entrevista os principais candidatos à Presidência sobre questões polêmicas das candidaturas e sobre ações desses candidatos à frente de cargos públicos. Nas próximas semanas, o Bom Dia Brasil e o Jornal da Globo farão o mesmo. O sorteio, acompanhado por assessores dos partidos, determinou que hoje nós recebamos, aqui na bancada, José Serra, do PSDB. Boa noite, candidato.

José Serra: Boa noite, William.

William Bonner: A entrevista vai durar 12 minutos, e o tempo começa a ser contado a partir de agora. Candidato, desde o início desta campanha, o senhor tem procurado evitar críticas ao presidente Lula. O senhor acha que... E em alguns casos fez até elogios a ele... o senhor acha que essa é a postura que o eleitor espera de um candidato da oposição?

José Serra: Olha, o Lula não é candidato a presidente. O Lula, a partir de 1º de janeiro, não vai ser mais presidente da República. Quem estiver lá vai ter de conduzir o Brasil. Não há presidente que possa governar na garupa, ouvindo terceiros ou sendo monitorado por terceiros. Eu estou focado no futuro. Hoje tem problemas e tem coisas boas. O que nós temos que fazer? Reforçar aquilo que está bem e corrigir e poder melhorar aquilo que não andou direito. É por isso que eu tenho enfatizado sempre que o Brasil precisa e que o Brasil pode mais. Onde? Na área da saúde, na área da segurança, na área da educação, inclusive do ensino profissionalizante. Meu foco não é o Lula. Ele não está concorrendo comigo.
William Bonner: Entendo. Agora, candidato, o senhor avalia o risco que o senhor corre de essa sua postura ser interpretada como um receio de ter que enfrentar a popularidade alta do presidente Lula?

José Serra: Não, não vejo por quê. Eu acho que as pessoas estão preocupadas com o futuro, né? Quem vai tocar o Brasil, quem tem mais condições de poder tocar o Brasil para a frente, que não é uma tarefa fácil. Inclusive de pegar aqueles problemas que hoje a população considera como os mais críticos e resolvê-los. Dou como exemplo, novamente, entre outros, a questão da saúde. Então, o importante agora é isso. E as pessoas estão nisso. O governo Lula fez coisas positivas, né? Outras coisas, deixou de fazer. A discussão não é o Lula. A discussão é o que vem para a frente, tá certo? Os problemas do Brasil de hoje e o que tem por diante.

Fátima Bernardes: O senhor tem insistido muito na tecla de que o eleitor deve procurar comparar as biografias dos candidatos que estarão concorrendo, que estão concorrendo nesta eleição. O senhor evita uma comparação de governos. Por exemplo, por quê, entre o governo atual e o governo anterior?

José Serra: Olha, porque são condições diferentes. Eles governaram em períodos diferentes, em circunstâncias diferentes. O governo anterior, do Fernando Henrique, fez uma... muitas contribuições ao Brasil, entre elas o Plano Real. A inflação era de 5.000% ao ano, né? E ela foi quebrada a espinha. As novas gerações nem têm boa memória disso. E várias outras coisas que o governo Lula recolheu e seguiu. O Antonio Palocci, que foi ministro da Fazenda do Lula e hoje é o principal assessor da candidata do PT, nunca parou de elogiar, por exemplo, o governo Fernando Henrique. Mas nós não estamos fazendo uma disputa sobre o passado. É como se eu ficasse discutindo, para ganhar a próxima Copa do Mundo, quem foi o melhor técnico: o Scolari ou o Parreira?

Fátima Bernardes: Mas...

José Serra: E o Mano Menezes, Fátima, desculpe, fosse estar preocupado em saber quem era melhor para efeito de ganhar a Copa de 14. Isso é uma coisa que os adversários fazem para tirar o foco de que o próximo presidente vai ter de governar e não pode ir na garupa. E tem que ter ideias também. Não só coisas que fez no passado, mas também ideias a respeito do futuro.

Fátima Bernardes: Mas, por exemplo, avaliar, analisar fracassos e sucessos não ajuda o eleitor na hora de ele decidir pelo voto dele?

José Serra: Por isso... E é isso o que eu estou fazendo. Por exemplo, mostro na saúde. Eu fui ministro da Saúde. Fiz os genéricos, os mutirões, a campanha contra a Aids que foi considerada a melhor campanha contra a Aids do mundo, uma série de coisas. A saúde, nos últimos anos, não andou bem. Por exemplo, queda, diminuição do número de cirurgias eletivas, aquelas que não precisa fazer de um dia para o outro, mas são muito importantes. Caiu, né? Pararam os mutirões. Muita prevenção que se fazia acabou ficando para trás. Faltam ainda hospitais nas regiões mais afastadas dos grandes centros. Tem problemas com as consultas, tem problemas de demoras. Enfim, tem um conjunto de coisas, inclusive relacionadas por exemplo com a saúde da mulher. Tudo isso precisa ser equacionado no presente. Eu estou apontando os problemas existentes.

William Bonner: Agora, candidato, vamos ver uma questão... O senhor me permita, para a gente poder conversar melhor.

José Serra: Sim, sim, claro.

William Bonner: Uma questão política. Nesta eleição, existem contradições muito claras nas alianças formadas pelos dois partidos que têm polarizado as eleições presidenciais brasileiras aí nos últimos 16 anos, né? O PT se aliou a desafetos históricos. O seu partido, o PSDB, está ao lado do PTB, um partido envolvido no escândalo do mensalão petista, no escândalo que inclusive foi investigado e foi condenado de forma muito veemente pelo seu partido, o PSDB. Então, a pergunta é a seguinte: o PSDB errou lá atrás quando condenou o PTB ou está errando agora quando se alia a esse partido?

José Serra: William, é uma boa pergunta. O PTB, no caso de São Paulo, por exemplo, sempre esteve com o PSDB, de uma ou de outra maneira. Isso teve uma influência grande na aliança nacional. Os partidos, você sabe, são muito heterogêneos. O personagem principal... Os personagens principais do mensalão nem foram do PTB. Os personagens principais foram do PT, aliás, mediante denúncia do Roberto Jeferson, que era então líder do PTB.

William Bonner: Os nomes de petebistas, todos, uma lista muito vasta, começando pelo Maurício Marinho.

José Serra: Você tem 40 lá no Supremo Tribunal Federal...

Willlam Bonner: Não, exato.

José Serra: E o PT ganha disparado.

William Bonner: Mas não há nenhum constrangimento para o senhor pelo fato de esta aliança por parte do seu partido, o PSDB, ter sido assinada com o PTB pelas mãos do presidente do partido que teve o mandato cassado inclusive com votos de políticos do seu partido, o PSDB? Isso não provoca nenhum tipo de constrangimento?

José Serra: Olha, o Roberto Jefferson, é o presidente do PTB, ele não é candidato. Ele conhece muito bem o meu programa de governo, o meu estilo de governar. O PTB está conosco dentro dessa perspectiva. Eu não tenho compromisso com o erro. Aliás, nunca tive na minha vida. Tem coisa errada, as pessoas pagam, né? Quem é responsável por si é aquele que comete o erro, é ele que deve pagar. Eu não fico julgando. Mas eu não tenho compromisso com nenhum erro. Agora, quem está comigo sabe o jeito que eu trabalho. Por exemplo, eu não faço aquele loteamento de cargos. Para mim, não tem grupinho de deputados indicando diretor financeiro de uma empresa ou indicando diretor de compras de outra. Por quê? Para que que um deputado quer isso? Evidentemente não é pra ajudar a melhorar o desempenho. É para corrupção. Comigo isso não acontece. Não aconteceu na saúde, no governo de São Paulo e na prefeitura.

Fátima Bernardes: Candidato, nesta eleição, quer dizer, o senhor destaca muito a sua experiência política. Mas na hora da escolha do seu vice, houve um certo, um certo conflito com o DEM exatamente porque houve uma demora para o aparecimento desse nome. Muitos dos seus críticos atribuem essa demora ao seu perfil centralizador. O nome do deputado Índio da Costa apareceu 18 dias depois da sua oficialização, da convenção que oficializou a sua candidatura. É... O senhor considera que o deputado, em primeiro mandato, está pronto para ser o vice-presidente, uma função tão importante?

José Serra: Está. Fátima, deixa só eu te dizer uma coisa. Eu não sou centralizador. Eu sei que tenho a fama de centralizador. Mas no trabalho, eu delego muito. Eu sou mais um cobrador. Eu acompanho tudo.

Fátima Bernardes: Eu falei centralizador porque até no seu discurso de despedida do governo de São Paulo, o senhor mesmo explicou sobre essa fama de centralizador.

José Serra: Que eu não era centralizador. E todo muito que trabalha comigo sabe disso, eu delego muito. Agora, eu acompanho porque quem coordena, quem chefia tem que acompanhar para as coisas acontecerem. A questão da vice estava orientada numa direção. Por circunstancias políticas, acabou não acontecendo. E o Índio da Costa, que foi o escolhido, estava entre os nomes que a gente cogitava. Só que isso não tinha ido para a opinião pública porque senão é uma fofoca só. Fulano, cicrano, isso e aquilo. Ele disputou quatro eleições, é um homem de 40 anos e foi um dos líderes da aprovação do ficha limpa no Congresso. Eu acho que...

Fátima Bernardes: Mas a experiência dele é municipal, na verdade, não é? Ele teve três mandatos de vereador, o senhor acha que isso o qualifica?

José Serra: E um mandato deputado federal.

Fátima Bernardes: Que ele está exercendo pela primeira vez.

José Serra: Eu acho que isso o qualifica perfeitamente. O que vale é a experiência na vida pública. Tem livros sobre administração e eu insisto. Sua atuação no Congresso Nacional foi marcada pelo ficha limpa. Se você for pegar também outros vices, do ponto de vista da experiência pública, cada um tem suas limitações. Mas eu não estou aqui para ficar julgando os outros. Eu só sei que o meu vice, jovem, ficha limpa, preparado, com muita vontade, e do Rio de Janeiro, é um vice adequado. Eu me sinto muito bem com ele. Agora, devo dizer o seguinte...

William Bonner: Candidato... Candidato.

José Serra: Eu tenho muito boa saúde. Ninguém está sendo vice comigo achando que eu não vou concluir o mandato.

William Bonner: Mas um vice não assume só nessas circunstâncias...

Fátima Bernardes: Trágicas.

José Serra: Mas, enfim... Eu não sei até que ponto...

William Bonner: Candidato, eu gostaria de abordar um pouquinho também da sua passagem pelo governo de São Paulo. O senhor foi governo em São Paulo durante quatro anos, seu partido está no poder em São Paulo há 16 anos. Então é razoável que a gente avalie aqui algumas dessas ações. A primeira que eu colocaria em questão aqui é um hábito que o senhor mesmo tem de criticar o modelo de concessão das estradas federais. De outro lado, os usuários, muitos usuários das estradas estaduais de São Paulo que estão sob regime de concessão, se queixam muito do preço e da frequência com que são obrigados a parar para pedágio, quer dizer, uma quantidade de praças de pedágio que eles consideram excessiva. Pergunta: o senhor pretende levar para o Brasil inteiro esse modelo de concessão de estradas estaduais de São Paulo?

José Serra: Olha, antes disso. No caso de São Paulo, tem uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes, um organismo independente: 75% dos usuários das estradas do Brasil acham as paulistas ótimas ou boas. 75%, um índice de aprovação altíssimo. Isso para as federais é apenas 25%. De cada dez estradas federais, sete estão esburacadas. São as rodovias da morte. Na Bahia, em Minas, BH, Belo Horizonte, Governador Valadares, em Santa Catarina. Enfim, por toda a parte. O governo federal fez um tipo de concessão que não está funcionando.

William Bonner: Mas a que o senhor fez motivou críticas quanto ao preço. Então a questão que se impõe é a seguinte, candidato: não existe um meio termo? Ou o cidadão brasileiro tem uma estrada boa e cara ou ele tem uma estrada ruim e barata. Não tem um meio termo nessa história?

José Serra: Eu acho que pode ter uma estrada boa que não seja cara, se você trabalhar direito. Por exemplo, a concessão que eu fiz da Ayrton Senna. O pedágio anterior era cobrado pelo órgão estadual. Caiu para a metade o pedágio. É que realmente, geralmente, os exemplos bons não veem...

William Bonner: Mas esse modelo vai ser exportado para as estradas federais?

José Serra: Esse modelo que diminuiu pode ser adotado, porque você tem critérios para ser examinados. O governo federal fez estradas pedagiadas. Só que estão, por exemplo, no caso de São Paulo, a Régis Bittencourt, que é federal, ela continua sendo a rodovia da morte. E a Fernão Dias, Minas-São Paulo, está fechada. Você percebe? Nunca o Brasil esteve com as estradas tão ruins. Agora, tem mais: em 1000 é, é, no começo de 2003 para cá, foram arrecadados R$ 65 bilhões para transportes, para estradas na Cide. É um imposto. Sabe quanto foi gasto disso pelo governo federal? Vinte e cinco. Ou seja, foram R$ 40 bilhões arrecadados dos contribuintes para investir em estradas do governo federal que não foram utilizados. A primeira coisa que eu vou fazer, William, é utilizar esses recursos para melhorar as estradas. Não é o assunto de concessão que está na ordem do dia. É gastar. É entender o seguinte: por que de cada R$ 3 que o Governo Federal arrecadou, foram 65, ele gastou um terço disso? É uma barbaridade.

Fátima Bernardes: Nós estamos...

José Serra: Por isso as estradas federais estão nessa situação. Desculpa, Fátima, fala.

Fátima Bernardes: Não, candidato. É que como nós temos um tempo, eu queria dar ao senhor os 30 segundos para o encerramento, para o senhor se dirigir ao...

José Serra: Já passou?!

Fátima Bernardes: Já passou, já estamos, olhe lá, Onze e quarenta e sete e os seus eleitores.

José Serra: Olha, eu vim aqui, queria, em primeiro lugar, agradecer a vocês por essa oportunidade. Eu tenho uma origem modesta, meus pais eram muito modestos. Eu acho que eles nunca sonharam que um dia eu estaria aqui no Jornal Nacional, que eles assistiam diariamente, aliás pela segunda vez, falando como candidato a presidente da República. Eu devo a eles até onde eu cheguei. Devo a eles, devo à escola pública e acabei virando professor universitário, mas também sempre ligado às questões públicas, desde que eu fui presidente da União Nacional dos Estudantes até hoje. O que eu peço hoje...

William Bonner: Seu tempo, candidato.

José Serra: Para concluir é o seguinte: eu acho que o Brasil pode continuar e pode melhorar muito. O que eu queria pedir às pessoas...

William Bonner: Candidato, o senhor me obriga a interrompê-lo, me perdoe, me perdoe.

José Serra: Não posso nem falar um pouquinho?

William Bonner: É em respeito... Não posso. Porque é em respeito aos demais candidatos que estiveram aqui. E eu sei que o senhor vai compreender. E eu quero agradecer a sua presença aqui.

José Serra: Não. Eu compreendo. Obrigado.

William Bonner: Boa Noite.

Fátima Bernardes: Bom. Boa noite.

José Serra: Boa noite.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Futebol massacra debate da Band

http://www.abril.com.br/blog/chiado/files/2010/08/debate-band.jpg 

A Band atingiu resultados pífios de audiência com a transmissão do 1° debate das Eleições 2010. De ponta a ponta, a discussão de ideias entre os candidatos marcou 3 pontos, mas chegou a ficar com apenas 1 durante os momentos mais críticos. Enquanto isso, a Globo marcava 10 vezes mais ao modificar a grade para transmissão do jogo entre São Paulo e Internacional pela Libertadores. Mas não é para comentar a falta de estratégia da emissora da família Saad que fizemos esse post, como um bom blog politizado iremos abordar as propostas e performances dos candidatos presentes no Debate.

Conheça também o projeto da Globo para as Eleições

Dilma Rouseff
Para estreia, a ex-ministra até que não estava tão mal. Conseguiu reagir bem aos ataques que partiam de todos os lados, apenas foi pega de surpresa em questões como o mutirão da catarata e o apoio as APAEs. Essa falta de informação podia a complicar em uma situação de maior exposição.

José Serra
Com experiência de sobra, Serra aparentou ser o mais sereno entre os presentes. Sofreu por não poder ir diretamente contra o atual governo, já que não é uma boa criticar um presidente com 80% de aprovação.

Marina Silva
A candidata verde seguiu uma vibe do bem. Tentou se manter sem participar das discussões mais quentes, o que acabou a deixando um tanto quanto excluída do contexto.

Plínio Arruda
O candidato do PSOL não tinha nada a perder, então ousou bastante. Fez piadas, reclamou de não ser perguntado e ganhou votos. O senhor de 80 anos virou hit nas redes sociais e pode ganhar votos graças ao protesto dos jovens.